janeiro 29, 2009

MAHATMA GANDHI - 61 ANOS!


Em 30 de janeiro de 1948, Mahatma Gandhi foi assassinado por um hinduísta fanático. Durante anos, o líder se empenhara com meios pacíficos para que a Índia se tornasse independente.


"A luz se foi de nossas vidas", declarou o então primeiro-ministro da Índia, Jawaharlal Nehru, em 30 de janeiro de 1948, dirigindo-se pelo rádio à nação que se tornara independente apenas alguns meses antes. O líder Mohandas Karamchand Gandhi, conhecido por Mahatma ("grande alma"), fora assassinado a tiros pelo nacionalista hindu Nathuram Godse. Antigo seguidor de Gandhi, Godse discordava da liberação de recursos financeiros da Índia para o Paquistão, num momento em que os dois jovens países iniciavam sua primeira guerra pela Caxemira.
A morte violenta contribuiu para idealizar ainda mais a figura de Gandhi como "pai na nação". Não há cidade ou povoado na Índia que não tenha um monumento ao homem magro e curvo, portando apenas uma túnica e uma bengala na mão. A questão é se a herança deixada por ele ainda tem algo a ver com a prática política na Índia de hoje.
Na verdade, numa sociedade repleta de conflitos – entre as castas, os grupos religiosos, as etnias, ou simplesmente pobres e ricos –, não há espaço para a idéia da não-violência pregada por Gandhi. Tampouco teve vez a idéia de desenvolvimento que ele defendia, ao estimular o renascimento dos processos artesanais.
Pacifismo x autoritarismo
Gandhi, porém, já era um santo enquanto vivo – e sobre os santos, não se discute. O enorme abismo entre seus ideais e a corrupção dos políticos de hoje leva antes à resignação. O que se esquece facilmente é que o próprio Gandhi era um político com grande senso de poder e muitas vezes até autoritário. Seu engajamento em prol dos párias é reconhecido para além das fronteiras da Índia.
Sendo filho de uma alta casta hindu, Gandhi lutou contra a marginalização dos párias, empenhou-se para que as portas dos templos hinduístas lhes fossem abertas. Chamou a atenção de muitos indianos que gozavam de educação britânica para a vida miserável nos povoados do país e sobretudo das castas mais baixas.
Ao mesmo tempo, porém, ele tendia a idealizar a situação e insistia obstinadamente em sua própria visão. O mais importante político dos párias em sua época, Ambedkar, defendia que os párias tinham outros interesses que os hindus. Eles deveriam, portanto (da mesma forma que os muçulmanos), votar separadamente dos demais eleitores e escolher seus próprios representantes para os parlamentos.
Gandhi, por sua vez, insistia em incluir os párias entre os hindus. Irritou-se de tal forma com as reivindicações de Ambedkar, que ameaçou jejuar até a morte, fazendo com que este cedesse. Era esta a forma pela qual Gandhi se utilizava da "não-violência", e não apenas perante os senhores coloniais.
A herança de Gandhi
Gandhi empenhou-se, como poucos políticos de seu tempo, por uma reconciliação com os muçulmanos. Mas o hinduísmo desempenhou um papel central em sua vida. Suas idéias, seu programa político, tudo é impregnado do vocabulário hinduísta. Grande parte dos muçulmanos não se sentia representado por ele e insistiu na criação de um Estado próprio, o Paquistão.
Mahatma Gandhi não contribuiu apenas para que a Índia se tornasse independente sem muito derramamento de sangue. Muitos de seus pensamentos acerca do abismo entre a cidade e o campo, acerca da solução de conflitos sem o apelo à violência continuam sendo atuais, e não apenas dentro das fronteiras da Índia. Mas, para poder debater a esse respeito, seria preciso poder discutir também a respeito de suas falhas.

Thomas Bärthlein

janeiro 27, 2009

27 JANEIRO 1945



Mensagem do Secretário-Geral da ONU

Recordamos, hoje, os milhões de vítimas do nazismo – quase um terço do povo judeu e de inúmeros membros de outras minorias – que sofreram actos atrozes de discriminação, privações, crueldade e assassínios.
As novas iniciativas em memória do Holocausto e para educar a opinião deram-nos motivos justificados para ter esperança. Essa esperança é o tema da comemoração deste ano.Mas podemos e devemos fazer mais, se quisermos que essa esperança se torne realidade.
Devemos continuar a analisar as razões por que o mundo não impediu o Holocausto e outras atrocidades perpetradas desde então. Dessa forma, estaremos mais preparados para derrotar o anti-semitismo e outras formas de intolerância.
Devemos continuar a ensinar às nossas crianças as lições dos capítulos mais sombrios da História. Isso irá ajudá-las a agir melhor do que os seus ascendentes, construindo um mundo assente na coexistência pacífica.Devemos combater o negacionismo e erguer as nossas vozes contra o fanatismo e o ódio.
E devemos defender as normas e as leis que as Nações Unidas instituíram para proteger os seres humanos e combater a impunidade dos responsáveis por genocídio, crimes de guerra e crimes contra a humanidade.
O nosso mundo continua a sofrer uma violência implacável, o desrespeito absoluto pelos direitos humanos e a agressão a pessoas, simplesmente por serem quem são.
Neste quarto Dia Internacional, recordemos as vítimas do Holocausto, reafirmando a nossa fé na dignidade e igualdade de direitos de todos os membros da família humana. E comprometamo-nos a trabalhar em conjunto para transformar a esperança de hoje no mundo melhor de amanhã.
Muito obrigado.

janeiro 19, 2009

RESISTÊNCIA

Mistura de diário e memória, 'Resistência' foi publicado pela primeira vez em 1946 e é um relato de Agnès Humbert.
Após a invasão dos alemães em Paris, Agnès, historiadora da arte, resolve fundar junto com seus colegas do museu o primeiro movimento de de resistência na capital francesa. Agnès e seus amigos faziam o que podiam - convocar pequenas greves estratégicas, retirar as moedas de circulação, distribuir um pequeno jornal que informava todas as ações do movimento e suas conseqüências. Até que os alemães a prenderam e a levaram para um campo de concentração. Lá os horrores da guerra a atingiram em cheio. Agnès decidiu resistir mais uma vez. E conseguiu. 'Resistência' é o testemunho vivo de uma época e suas questões, o depoimento pessoal de uma mulher forte que sempre soube que estava do lado da vida e da liberdade.

ADEUS ZEMA